Você sabe de que é feito o celular? Já deve ter ouvido falar sobre o lítio e até mesmo sobre o cobalto, dois componentes essenciais — pelo menos até agora —, para a fabricação de laptops e smartphones. Mas você sabe qual é o impacto dessas matérias-primas nos âmbitos social e ambiental? 

Essa discussão tem aumentado nos últimos anos. Não há como pensar em um planeta mais sustentável sem incluir nesse esforço uma redução das baterias de íon de lítio e do uso do cobalto. Porém, esses não são os únicos itens usados na fabricação de um smartphone.

Além disso, a vida útil dos aparelhos somada à frequência na qual eles são trocados são questões que têm levado cada vez mais pessoas a agirem para evitar práticas desumanas e desastres ecológicos.

Pensando nisso, o Blog da Trocafone criou este artigo para lhe informar do que é feito o celular, para que você entenda as consequências da produção desses elementos para as pessoas e o meio ambiente. Com esse fim, vamos primeiro entender quais são esses componentes e porque eles são usados. Quer saber mais? Então vamos lá!

Do que é feito o celular, para que servem e qual o impacto desses componentes

Para montar um celular atual é preciso mais de 70 materiais diferentes, entre eles, cerca de 50 metais — o dobro do necessário para se fazer um modelo antigo, daqueles sem acesso à internet. 

A extração dessas matérias-primas, fundamentais para executarmos todas as funções de um smartphone, tem diferentes impactos ​​no meio ambiente, que vão desde a emissão de gases de efeito estufa e poluição até graves violações de direitos humanos.

Ademais, produtos de alta tecnologia como smartphones também estão repletos de produtos químicos, metais e ligas. Confira do que é feito o celular abaixo:

  • De 30 a 35% de materiais plásticos e sintéticos no corpo de um aparelho — esses materiais derivados do petróleo servem como isolantes entre os circuitos.
  • De 15 a 20% de cobre — usado em placas de circuito para conduzir eletricidade.
  • De 10 a 15% de lítio e outros químicos, como magnésio, carbono, cobalto, entre outros.
  • De 10 a 15% de vidro e/ou cerâmica — normalmente integrados à tela do aparelho.
  • De 25 a 30% de ferro e derivados de ferro, como zinco, estanho, cromo, níquel, entre outros — presentes na placa do aparelho.
  • Cerca de 0,5% de metais preciosos, como ouro, prata, platina, paládio, entre outros — usados como condutores de energia elétrica e térmica.
  • Cerca de 0,1% de terras raras ou metais raros, como európio, ítrio, térbio, gálio, tungstênio, índio, tântalo, entre outros — usados ​​para melhorar o desempenho de todos os tipos de eletrônicos devido ao seu magnetismo e condutividade.

Ouro, platina, prata, terras raras: um tesouro finito dentro do seu celular

Agora você sabe que seu smartphone contém mais da metade da tabela periódica, além de metais preciosos, como ouro e platina, entre outros outros elementos considerados valiosos para a indústria em geral, caso do lítio, do níquel, do cobre e do paládio, além do alumínio, do ferro e de diferentes tipos de plásticos.

Seu smartphone conta ainda com uma série de elementos conhecidos como terras raras, que atendem por nomes como tântalo, nióbio, índio, háfnio, paládio. O problema é que esse grupo de metais com propriedades de magnetismo necessitam de processos de extração difíceis, caros e altamente poluentes, que, não raro, estão ligados ao trabalho infantil, a escravidão e ao aumento de doenças devido a descargas poluentes.

Sabe-se que os recursos naturais usados para produzir um smartphone são finitos e um dia podem deixar de existir. Alguns estudiosos avaliam que a prata, o manganês, o zinco, o ouro e a platina estão com os dias contados e podem se esgotar nos próximos 50 anos. 

Outra questão é que a maioria dos minérios de que é feito o celular precisam ser processados para se transformarem em metais puros, um meio que requer alta quantidade de mão de obra e energia. 

Você já ouviu falar em minerais de conflito? 

Apesar de os materiais de que é feito o celular não serem totalmente revelados por seus fabricantes, cientistas da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, resolveram triturar um aparelho em um liquidificador para desvendar esse mistério. Você pode conferir a experiência nesse link (legendas em inglês).

Os principais componentes encontrados pelos pesquisadores foram: ferro, silício, cromo e cobre. No entanto, também foram identificados “minerais de conflito”,

Mineiras de conflito

O termo que descreve quatro elementos: o estanho, o tântalo, o tungstênio e o ouro. Mas o que transforma estas matérias-primas em minerais de conflito?

Basicamente, a região do planeta onde elas são obtidas. Quando essas matérias-primas vem de uma determinada parte do mundo afetada por algum tipo de conflito econômico ou militar e apoiam ou financiam grupos armados e conflitos locais, envolvendo ainda violações aos direitos humanos, como acontece em regiões da República Democrática de Congo (RDC) e em países vizinhos, elas são consideradas como minerais de conflito.

Impactos no meio ambiente

E não é só isso: essas atividades de mineração estão intimamente relacionadas com a destruição da terra e geram impactos graves no meio ambiente, como desmatamento, práticas prejudiciais de uso da terra e poluição excessiva do solo, da água e do ar, causando sérios problemas de saúde. 

Lítio e cobalto: impacto no meio ambiente e na sociedade

O lítio já foi considerado como “ouro branco” e “petróleo do futuro”. Extraído no chamado triângulo do lítio, região da América do Sul que cobre partes da Argentina, Bolívia e Chile, e que possui 68% do suprimento mundial do metal em forma de planícies de sal, o mineral está por trás de um desastre ambiental que tem diminuído a quantidade de água doce disponível para populações andinas e posto em risco colônias de flamingos.

Já o cobalto, mineral essencial das baterias de íon-lítio, usado para produzir ligas extremamente resistentes a altas temperaturas quando combinado com outros metais, é um dos principais responsáveis pela morte de milhões de pessoas na República Democrática do Congo. Apesar do país produzir menos de 10% do mineral do mundo, um estudo das Nações Unidas afirma que o exército de Ruanda conseguiu levantar o equivalente a 250 milhões de dólares em 18 meses somente com sua venda.

Outro dado alarmante vem da Unicef, que estima que existam aproximadamente 40 mil crianças trabalhando em minas de cobalto no sul do Congo.

Como reduzir o impacto ambiental dos produtos usados na fabricação de celulares?

Por essas razões, entendemos que não podemos continuar assim. Em 2010, os Estados Unidos aprovaram uma lei exigindo que as empresas listadas no país determinem se seus produtos contêm um ou mais de quatro minerais provenientes do Congo ou de um de seus nove países vizinhos, iniciativa que tem ajudado muitas empresas a progredirem nesse sentido.

A Apple é uma das companhias que têm adotado práticas para controlar seus fornecedores sobre os minerais usados na produção de seus produtos. Em 2020, a empresa rompeu com 36 fornecedores por fornecerem relatórios incorretos sobre suas atividades de extração.

Contudo, a única maneira de reduzir o desperdício de recursos naturais e diminuir o impacto no meio ambiente é fazer com que a vida útil dos aparelhos já fabricados seja maior e que seus componentes sejam reaproveitados.

Então, agora que você já sabe do que é feito o celular, dê uma segunda chance a ele. No lugar de jogar no lixo, já pensou em reformá-lo? Conheça a Reparofone e faça um orçamento de reparo para seu smartphone!

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